segunda-feira, 24 de maio de 2010

Do Bem e do Bom


Como gostaria de dizer que não me importo, que nada me possui, que nada me abala, como fora em outrora. Em um segundo me foi tirada a pose dos sentidos, o temperamento indiferente tão bem quisto, já não parece ter vigor algum. Agora eu me importo, eu me abalo, tudo mudou quando você chegou.

Perdoe-me baby, eu não sei amar a moda antiga. Perdoe-me não chorar quando você recita Shakespeare. Perdoe-me porque não sou aquilo que você espera. Nem posso satisfazer suas velhas aspirações adolescentes.


Perdoe-me por ter mesclado sua vida na minha mesmo sabendo que elas não podem se misturar. Perdoe-me por estar usando sua imagem a todo tempo em meus pensamentos, e gastar seu nome em gritos intercalados dentro de mim.


Você sonha com o perfeito, com o belo, com o pra sempre; mas, em meus devaneios percebo as coisas da forma que se não devem perceber: o perfeito me enoja, o belo me entedia, o meu pra sempre já acabou. Enquanto buscas o cômodo, o desconhecido está a me atrair.


Mas baby me perdoe, não escolhi trilhar esse caminho, quisera eu ter sido moldado à medida dos teus passos e ao tamanho do teu desejo; mas o meu amor nem de longe é o que sonhastes, se perante ele nem te vem a fome nem a vontade de comer.


O meu amor é bandido, é proibido, é às avessas. São figos de mangueira e mangas de figueira. É suco de limão que parece tamarindo, mas tem gosto de groselha. É fogo que consome e que de todo é consumido, é o prazer da morte e a dor de um beijo, é a alegria da perda, a saudade do que não viveu.


Perdoe-me baby, eu não sei amar a moda antiga, mas você quer amar como ninguém ama? Levo-te comigo, serei seu abrigo e a sua perdição, te comerei o juízo e antagonicamente te encherás de razão. Cantaremos aos ossos e choraremos sobre a rosa.


Mas não pense muito, você pensa demais, jogue fora sua régua, esqueça seu costume imposto, o momento é agora, o certo não existe, o certo é agente que faz.