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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Da Certeza do Suspeito


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O futuro é tão incerto.

Eu ando, paro, corro, paro, canso, espero, e não me acalmo.

A cada passo a pé descalço, sinto o infalso do meu chão e paro.



Mas ando, paro, corro, paro, até que vejo algo raro,

Uma luz me atrai como que um laço, a qual não se nega ida nem se entrega escasso,

Quando meus pés se firmam sobre o inexato,

Na solidez estreita do inseguro passo.


Se de esperança se faz meu dia, a minha noite se faz do fogo,

Que se não me larga teu incinero corpo,

Dum abraso beijo me asseguro o acaso.


Num porvir incerto me assossego o lombo,

Em seu sorriso-luz me afianço o passo.



quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Ciclo da Vida


"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente.
Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.
Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para o colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando.
E termina tudo com um ótimo orgasmo!
Não seria perfeito?"


(Charles Chaplin)

quinta-feira, 8 de abril de 2010


"Não voltaria um único dia na minha vida, e lembranças boas é o que não me faltam.
(...)
Não voltaria ao dia de ontem - e ontem eu era mais jovem do que hoje, ontem eu era mais romântica do que hoje, ontem eu nem tinha pensado em escrever esta crônica, ontem faz mil anos. Não tenho saudades de mim com menos celulite, não tenho saudades de mim mais sonhadora. Não voltaria no tempo para consertar meus erros, não voltaria para a inocência que eu tinha - e tenho ainda. (...) Não tenho saudades nem de um minuto atrás. Tudo o que eu fui prossegue em mim.
"
(Martha Medeiros)


O tempo é uma constante. Não pára. Não retroage. Não acelera. Não retarda. Pisco os olhos e já passou, não volta mais. Fecho-os na esperança de fazê-lo passar devagar em um momento de felicidade, mas não é possível. Ainda que veementemente o queira apressar, todavia ele continuará freqüente.

Lamentarei? De maneira nenhuma! Os copos que derrubei, o dinheiro que perdi, os porres que tomei, as lágrimas que chorei e ainda as que provoquei em outros, não me fazem querer voltar, fazer diferente não solucionaria nada. Males acontecem e não existe um porquê, é eventual, é fortuito.

Não seria quem sou sem as vitórias e as derrotas que vivi. Se eliminasse algumas delas do meu currículo seria alguém diferente, uma estranha de mim mesma. Cada traço de minha personalidade são marcas da vida que no decorrer do tempo foi esboçando um ser impregnado de peculiaridade, de manias, de defeitos – ah,os defeitos, como os necessito, são parte de mim, jamais me desfaria deles – enfim, um ser cheio de si. Não a nada que eu queira ou precise ser senão exatamente quem sou.

O tempo tudo muda. É ele um agente de transformação. À medida que a vida transcorre seus embalos vai-se quase que imperceptivelmente traçando outros pontos em mim, e me torna um novo eu, com o qual, presentemente, me identifico mais que o de outrora.

Há uma energia correndo no ar, sem pra que, nem porquê, ela apenas está aí.

Respire fundo, sinta-a adentrar o seu ser. É a força da vida, ela não tem ambições nem ao seu nem ao meu respeito, ela não quer te levar à algum lugar nem melhor nem pior do que você está, ela não pretende te fazer bom ou ruim, ela não tenciona absolutamente nada. Ela apenas está no ar, movendo, transformando, sem saber no que vai dá, sem saber o final.


Respire fundo, há uma energia no ar!