Mostrando postagens com marcador sentimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sentimento. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Da Certeza do Suspeito


.

.

O futuro é tão incerto.

Eu ando, paro, corro, paro, canso, espero, e não me acalmo.

A cada passo a pé descalço, sinto o infalso do meu chão e paro.



Mas ando, paro, corro, paro, até que vejo algo raro,

Uma luz me atrai como que um laço, a qual não se nega ida nem se entrega escasso,

Quando meus pés se firmam sobre o inexato,

Na solidez estreita do inseguro passo.


Se de esperança se faz meu dia, a minha noite se faz do fogo,

Que se não me larga teu incinero corpo,

Dum abraso beijo me asseguro o acaso.


Num porvir incerto me assossego o lombo,

Em seu sorriso-luz me afianço o passo.



segunda-feira, 24 de maio de 2010

Do Bem e do Bom


Como gostaria de dizer que não me importo, que nada me possui, que nada me abala, como fora em outrora. Em um segundo me foi tirada a pose dos sentidos, o temperamento indiferente tão bem quisto, já não parece ter vigor algum. Agora eu me importo, eu me abalo, tudo mudou quando você chegou.

Perdoe-me baby, eu não sei amar a moda antiga. Perdoe-me não chorar quando você recita Shakespeare. Perdoe-me porque não sou aquilo que você espera. Nem posso satisfazer suas velhas aspirações adolescentes.


Perdoe-me por ter mesclado sua vida na minha mesmo sabendo que elas não podem se misturar. Perdoe-me por estar usando sua imagem a todo tempo em meus pensamentos, e gastar seu nome em gritos intercalados dentro de mim.


Você sonha com o perfeito, com o belo, com o pra sempre; mas, em meus devaneios percebo as coisas da forma que se não devem perceber: o perfeito me enoja, o belo me entedia, o meu pra sempre já acabou. Enquanto buscas o cômodo, o desconhecido está a me atrair.


Mas baby me perdoe, não escolhi trilhar esse caminho, quisera eu ter sido moldado à medida dos teus passos e ao tamanho do teu desejo; mas o meu amor nem de longe é o que sonhastes, se perante ele nem te vem a fome nem a vontade de comer.


O meu amor é bandido, é proibido, é às avessas. São figos de mangueira e mangas de figueira. É suco de limão que parece tamarindo, mas tem gosto de groselha. É fogo que consome e que de todo é consumido, é o prazer da morte e a dor de um beijo, é a alegria da perda, a saudade do que não viveu.


Perdoe-me baby, eu não sei amar a moda antiga, mas você quer amar como ninguém ama? Levo-te comigo, serei seu abrigo e a sua perdição, te comerei o juízo e antagonicamente te encherás de razão. Cantaremos aos ossos e choraremos sobre a rosa.


Mas não pense muito, você pensa demais, jogue fora sua régua, esqueça seu costume imposto, o momento é agora, o certo não existe, o certo é agente que faz.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Travel


Resolvi escrever algo muito inútil hoje! Tenho o costume de fazer essas coisas, mas neste dia em especial me sinto muito motivada a transpor as barreiras da inutilidade. De que estou falando? Óbvio, de paixão.

É tão impressionante como ela nos congela os sentidos, nos levando do estado de racionalidade para um além de nossas cognições; seria como se num instante nos esvaísse de senso e fossemos movidos unicamente pelo instinto. Em poucos momentos nos assemelhamos tanto ao que realmente somos, animais, com algum adestramento, mas ainda animais.

Os resquícios da razão fazem sua tentativa: “não se entregue”. Mas parece ser insuficiente, já estamos entregues, como um barco em alto mar, sem velas e sem naus, a onda leva, não se sabe pra onde. Uau, isso parece perigoso! E deveras o é. Entretanto quem se importa? Aliás, quem se recorda de ter se percebido neste estado de tão grande perigo? É, supõe-se agora esta subconsciência.

Não se iluda, você jamais sairá dessa odisséia ileso. Por mais bem sucedida que se culmine sua viagem, ainda assim você trará as agruras desta deriva. Ausentar-se de si tem suas desventuras, mas porque não dizer que ainda assim tem como apreciar essa peripécia?!

Uma psicodelia está tão de bom-tom em nossos tempos.

Porque estou falando disso? É, meus caros, fui pega! Não há como se desvencilhar, fugir será uma tentativa vã, afinal, não se pode fazer muito sem velas e remos, é contar com a sorte. Já vivo as primeiras adversidades dessa jornada, já me debati muito, já balancei meu corpo contra a onda, e acredite, faz ficar mais difícil.

A partir de agora fecho os olhos, sinto o balanço, há tantas cores e sons, há tantos gostos e percepções, como numa viagem de ácido, cair numa “bad trip” faz parte, se o embalo está me levando para rochas já não importa, não abrirei os olhos até que tenha ancorado em terra firme novamente.